segunda-feira, 4 de março de 2013

Seca em 2013 e várias cidades da Paraíba deverão ficar sem água



As previsões que eu, Rodrigo Cézar Limeira, formado em Física e em Meteorologia e Mestre em Meteorologia fiz e divulguei à imprensa patoense no início de Janeiro de 2013, estão se confirmando, ou seja, seca forte em 2013, dentro do período de estação chuvosa do semiárido paraibano, que dura de Fevereiro a Maio.

As chuvas na minha previsão devem oscilar entre 50% e 70% abaixo da média, em um ano ruim para a agricultura, pastagem e também para os reservatórios de água.

Semiárido paraibano não terá estação chuvosa em 2013

    Diante de um cenário péssimo para chuvas no interior da paraíba em 2013, posso afirmar que segundo minhas previsões não haverá estação chuvosa no semiárido paraibano este ano, já que a perspectiva de chuvas para o período de Fevereiro e Maio é ruim, devido ao não aquecimento do Oceano Atlântico Sul tanto ano passado quanto este ano.

Quanto deve chover em Patos no período de estação chuvosa em 2013
 
Considerando minhas previsões, 50% a 70% abaixo da média, significa dizer que em Patos deve chover entre 180 mm e 300 mm apenas este ano, já que a média de Fevereiro a Maio é da ordem de 600 mm.

Quanto choveu em Patos em Janeiro e Fevereiro deste ano

Janeiro e Fevereiro seriam segundo minhas previsões meses de chuvadas, mas que seriam abaixo da média. Segundo a Embrapa, que fornece dados de chuvas para a AESA, este ano choveu 102 mm em janeiro, quando a média é de 66 mm, já em Fevereiro choveu apenas 9 mm quando a média é de 132 mm. Somando o que choveu nos dois referidos meses chegamos a 111 mm, quando em condições normais era para ter chovido 198 mm.

Dessa forma, as chuvas em Patos em 2013 estão aproximadamente 44% abaixo da média, num índice bem próximo a previsão que fiz.

Condições do Oceano Atlântico Sul continuam péssimas no início de Março

Agora no início de Março, as condições térmicas do Atlântico Sul continuam ruins, ou seja, o referido oceano na costa da Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte continua frio, já que o leve aquecimento observado ao longo de Fevereiro desapareceu totalmente, dando continuidade ao processo de oscilação térmica que vem ocorrendo desde o fim do ano passado, ou seja, num semana o citado oceano aquece um pouco, fica entre 0,5°C e 1°C acima da média, e na semana seguinte esfria, e esta situação é péssimo indicativo para as chuvas do setor norte do nordeste, e o resultado disso é a forte seca observada na região.

Fato que impedirá que a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) produza chuvas em boa quantidade especificamente no cariri, sertão e alto-sertão da Paraíba este ano, além disso, deve-se mencionar o fato do Oceano Atlântico Norte está atualmente mais quante que o Atlântico Sul, quando deveria está ocorrendo o contrário para para possibilitar uma estação chuvosa de qualidade nas citadas microrregiões paraibanas.


Várias cidades da Paraíba deverão ficar sem água este ano


A umidade do ar ao longo de 2013 deverá ficar abaixo da média, fato que prejudica muito os reservatórios de água, pois quando a umidade do ar está abaixo do normal, a evaporação aumenta significativamente e fica acima do normal.

De acordo com estudos realizados, a lâmina de água que evapora por ano no semiárido paraibano chega a 3,5 m, e em anos de seca forte essa lâmina pode alcançar os 4 m. Isso significa que a perda de água por evaporação é muito grande, além claro da infiltração e do consumo por parte dos grandes contigentes populacionais.

Diante de um cenário ruim para chuvas em 2013, muitas cidades do semiárido paraibano poderão ficar sem água, e isto já é uma realidade. Segundo a AESA (Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba),dos 121 grandes reservatórios monitorados pela instituição, 25 estão em observação (com menos de 20% de seu volume de água) e 11 em situação crítica, ou seja com menos de 5% de seu volume de água, ainda de acordo com os dados disponibilizados no site da entidade, há 77 reservatórios com volume armazenado maior que 20%.

Com a seca de 2013, essa situação pode piorar, já que cidades como Sousa por exemplo não estão fazendo racionamento de água, mesmo com o reservatório de São Gonçalo tendo apenas 22,6% de sua capacidade máxima que é de 44.600.000 m3 de água. Em Cajazeiras, o Açude Engenheiro Ávidos está com apenas 13,5% de sua capacidade máxima de armazenamento que é de 255.000.000 m3 de água, o outro reservatório que abastece a cidade, a Lagoa do Arroz, está com apenas 21,1% de sua capacidade máxima que é de 80.220.750 m3 de água.

Em Patos, a situação é melhor dévido ao Açude de Coremas, cuja capacidade máxima é de cerca de 720.000.000 m3 de água e se encontra atualmente com 40,9% de sua capacidade. A Barragem da Farinha está quase seca, com apenas 5,1% de sua capacidade máxima que é de 25.738.500 m3 de água. O Jatobá também está prestes a secar, pois se encontra com apenas 8,1% de sua capacidade máxima que é de 17.516.000 m3, a Barragem de Capoeira tem atualmente 21,1% de sua capacidade máxima que é de 53.450.000 m3 de água.

A situação é mais crítica em cidades de menor porte como por exemplo Teixeira, neste município, três dos quatro reservatórios de água secaram, apenas o Açude Riacho das Moças ainda não secou, e possui atualmente cerca de 16,7% de armazenamento de água.

Em Catingueira, a situação também é crítica, já que o Açude Cachoeira dos Cegos que tem uma capacidade máxima de 71.887.047 m3, está com apenas 22% de armazenamento.

Em Imaculada, o Açude Albino que tem uma capacidade máxima da ordem de 1.833.955 m3, está com apenas 8,8% de armazenamento de água.

Dessa forma, é preocupante a situação dos mananciais de água do estado da Paraíba com a seca que se aproxima, e a saída mais viável e urgente atualmente é a transposição do Rio São Francisco, que será a alternativa salvadora para o semiárido paraibano, e em se confirmando o término desta grande obra em 2014, o povo do interior da Paraíba poderá em fim respirar mais aliviado.

Perspectivas de chuvas para 2014

Ainda é muito cedo, mas uma coisa é certa, se a ’‘mudança climática’‘que provocou a grande seca de 2012 e a deste ano, não desaparecer do Oceano Atlântico Sul para que o mesmo volte a aquecer bem na altura da costa do nordeste, dentro do período de Fevereiro a Maio, então poderemos ter um 2014 com seca novamente no semiárido nordestino.

Rodrigo Cézar Limeira/maispatos.com


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